Há mais de dez anos à espera de regularização, os moradores do Setor Habitacional Bernardo Sayão, formado pelos condomínios horizontais Guará Park (antiga colônia Agrícola Águas Claras), Bernardo Sayão (Abaixo do Polo…

Há mais de dez anos à espera de regularização, os moradores do Setor Habitacional Bernardo Sayão, formado pelos condomínios horizontais Guará Park (antiga colônia Agrícola Águas Claras), Bernardo Sayão (Abaixo do Polo de Moda) e Iapi (entre a expansão do Guará e o córrego Vicente Pires e o Núcleo Bandeirantge), acumulam expectativas e dúvidas sobre o processo. A cada governo surgem novas exigências, o que acaba atrasando a regularização, que já deveria ter sido concluída há pelo menos três anos. Mas o caminho está cada vez mais próximo, de acordo com as informações prestadas pelos representantes do governo durante audiência pública virtual, nesta quinta-feira, 8 de abril,promovida pela Câmara Legislativa, com representantes da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Sedhu), do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), da Terracap e da concessionária Neoenergia/CEB, que apresentaram atualizações sobre o processo, que envolve questões ambientais e legais.
A prefeita comunitária do Guará Park, Tânia Coelho, falou da angústia dos cerca de 8 mil moradores pela falta de uma escritura. “A energia elétrica é um dos gargalos. Nem todos são contemplados. As obras de saneamento pararam. E agora? Temos problemas sérios de esgoto e águas pluviais”, apontou. A prefeita reclamou, ainda, da falta de clareza em relação às áreas que já seriam passíveis de regularização: “Queremos um raio-X do nosso processo”.
O empresário José Augusto lamentou a insegurança jurídica do cenário: “A morosidade e a falta de informação geram ansiedade”. Entre as queixas apresentadas, ele destacou a falta de endereçamento postal de algumas localidades: “As ruas existem, mas não estão zoneadas. É uma perversidade até para o recebimento de correspondências”.
Segundo Daniele Borges Siqueira, da Subsecretaria de Parcelamento e Regularização Fundiária da Secretaria de Habitação, o projeto do Bernardo Sayão teve que ser retornada à Terracap para ajustes referentes as questões ambientais e à Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS). Ela assegurou que, tão logo retorne, o processo estará entre as prioridades da pasta. “Precisamos observar a legislação, mas vamos garantir celeridade”.

“Alguns processos, contudo, são imperiosos. De acordo com Leal, o primeiro passo é a revisão do Plano de Uso e Ocupação do Solo, o que deve ser concluído até meados de 2021. A partir disso, o órgão vai passar para a aprovação de projetos, emissão de decretos e registros em cartório. Por fim poderá ser feita a comercialização dos lotes”, completou o gerente.
Segundo Renato Leal, será mantido o marco legal de 2016 como limite para a venda direta dos terrenos aos ocupantes. Ou seja, os lotes edificados até 22 de dezembro daquele ano serão comercializados por meio de venda direta, deduzindo a infraestrutura e valorização. Os demais poderão ser regularizados através de licitação.
O superintendente de Licenciamento do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Alisson Neves, considerou positiva a intervenção do distrital: “O ICMBio lida com áreas maiores e mais diversas em todo o País, e o Ibram tem condições de conhecer melhor o ambiente local”. Neves enumerou alguns avanços no processo do Bernardo Sayão ao longo de 2020, como o licenciamento de infraestruturas (a exemplo de saneamento básico) e a autorização a supressão de vegetações para obras de drenagem.

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