Comunidade luta há 15 anos por segurança em trecho crítico que liga a QE 19 ao parque; Administração Regional promete nova cobrança ao Detran-DF.

A entrada do Guará reserva um desafio diário e perigoso para pedestres que tentam acessar o Parque Ezequias Heringer. Na ligação entre o parque e a QE 19, quem precisa cruzar a pista depara-se com uma única faixa de pedestres em uma via de alta velocidade e com problemas graves de visibilidade para os motoristas.
O fluxo intenso de veículos vindos da Estrada Parque Guará (EPGU) soma-se à topografia do local: a pista conta com uma elevação que encobre a presença dos pedestres na faixa. A comunidade reivindica soluções urgentes para evitar tragédias, cobrando a implantação de uma passarela, redutores de velocidade ou um semáforo de travessia.
Para a pioneira Maria do Amparo, moradora da região há 36 anos, a rotina de travessia é uma verdadeira prova de resistência. "É uma maratona atravessar. Principalmente nos horários de pico. Depois das 18 horas é quase impossível", descreve ela, que presenciou diversos acidentes na via ao longo das últimas décadas.
Inconformada com o cenário de insegurança, Maria lidera mobilizações comunitárias há mais de 15 anos. Nesse período, ela já organizou abaixo-assinados, reuniu-se com o Detran-DF e acionou deputados distritais, mas sem obter melhorias efetivas. A presença frequente de crianças e famílias que visitam o parque agrava o temor dos moradores. "Aqui circulam muitas crianças. É um transtorno atravessar com elas. Já houve atropelamento de criança. O que queremos é apenas que façam alguma coisa para melhorar nossa situação", desabafa.
Em 2017, a demanda quase virou realidade através de um anteprojeto voluntário desenhado pelo arquiteto Sidônio Porto. O especialista projetou uma passarela suspensa moderna, integrada à paisagem urbana da capital, visando oferecer segurança e fluidez para os pedestres. No entanto, o plano foi engavetado sob a justificativa governamental de indisponibilidade orçamentária.
O arquiteto destaca que as características geométricas da autopista justificam a necessidade de uma obra permanente. Contudo, ele defende que ações provisórias poderiam ser tomadas de imediato, como a implantação de alertas luminosos próximos à sinalização horizontal.
A percepção de perigo é unânime entre novos moradores e trabalhadores locais. Eduardo Pimentel, morador da QE 17 e frequentador assíduo do parque, critica a configuração da via. "A faixa parece ter sido feita para dar errado", aponta. Eduardo sugere que o Detran instale semáforos e quebra-molas emergenciais para acalmar o tráfego que vem da EPGU, Águas Claras e EPTG, argumentando que a preservação de vidas deve se sobrepor à velocidade do fluxo de veículos.
O risco diário também afeta diretamente funcionários das redondezas. É o caso de João Rodrigues, trabalhador do Sesi — localizado nas dependências do parque —, que relata uma rotina de medo ao atravessar. "Sempre atravesso com muita insegurança", diz ele, relembrando o atropelamento grave sofrido por um colega na mesma faixa. Para João, a passarela é a única intervenção eficaz para separar em definitivo o trânsito pesado dos pedestres.
Acionada pela reportagem, a Administração Regional do Guará declarou que acompanha o pleito comunitário desde o início da atual gestão, em 2023. O órgão pontuou que já enviou demandas formais ao DER-DF e ao Detran-DF para intervenções no local.
A respeito do projeto sugerido por Sidônio Porto em 2017, a autarquia esclareceu que a proposta nunca foi formalizada nos canais oficiais de protocolo. No entanto, a Administração comprometeu-se a enviar um novo ofício ao Detran-DF para acelerar os estudos de viabilidade de uma travessia segura, além de solicitar o reforço na fiscalização de trânsito na entrada da cidade.
Enquanto os órgãos públicos não dão respostas definitivas, pedestres continuam se arriscando entre os carros para usufruir de um dos espaços de lazer mais importantes do Guará.

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