Por Leo Saraiva Situada na margem ocidental do Rio Barreto, já próximo à foz onde desaguam outras dezenas de rios amazônicos no Oceano Atlântico e em meio à densa e exuberante Floresta Amazônica - a pequena cidade de…

Por Leo Saraiva
Situada na margem ocidental do Rio Barreto, já próximo à foz onde desaguam outras dezenas de rios amazônicos no Oceano Atlântico e em meio à densa e exuberante Floresta Amazônica - a pequena cidade de São Caetano de Odivelas, no extremo norte do Pará, perdia há distantes trinta e dois anos um das suas cidadãs que, como tantas outras pessoas de origem muito humilde, vislumbrou na ainda muito jovem capital do Brasil melhores chances de vida.
Filha mulher caçula de uma família de sete irmãos, Elma Pereira da Costa deixou para trás uma região brasileira abençoada pela maior floresta tropical do planeta e banhada por imensos rios- ‘Sou filha de pescadores. Quase todos naquela região dependem dos rios e das florestas e do que elas fornecem para sobreviver’, - um regime de chuvas constantes e torrenciais para abraçar Brasília, cidade incrustada no meio do planalto central do Brasil e do cerrado, bioma conhecido pelos longos períodos de sêca e com vegetação adaptada a um tipo de clima inversamente distante da umidade sempre alta e dos imensos e caudalosos rios amazônicos. No Distrito Federal escolheu o Guará para morar, ‘Me considero uma guaraense por adoção. Sempre morei aqui, desde que saí do Pará’.

Vida difícil
No Guará, Elma teve um início de vida bem complicafo. Emprego era difícil de conseguir, mas a sua determinação e sua vontade de sobreviver melhor e vencer falaram mais alto. ‘Inicialmente trabalhei em casas de família. Mais tarde arranjei emprego em um cursinho preparatório para concursos e vestibulares’. Além de lidar bem com as rotinas de uma casa era também excelente cozinheira. Logo apareceu uma oportunidade de trabalhar na cozinha de Bar do Mané, famoso por servir codornas fritas e um farto e suculento pescoço de peru. ‘Na cozinha do Mané, aprendi muito bem a fazer os dois pratos e acrescentei a minha própria alquimia gastronômica. Sempre fui uma excelente cozinheira’, orgulha-se.
Quando o antigo bar encerrou as atividades, há três anos, Elma deciciu que já era a hora e estava preparada para abrir o próprio negócio e realizar um sonho. “Arrendei um ótimo espaço entre as quadras QE 26 e QE28 no Guará II, com uma imensa área verde no arredores e ali comecei a escrever minha própria história como proprietária do Buteco da Elma’.
Aberto em 2023, logo após o fim dos difíceis anos da pandemia, o bar foi premiado na primeira edição do Festival Botecar justamente com o pescoço de peru, considerado o melhor petisco de boteco em todo o Distrito Federal. ‘Acho que o momento mais importante e emocionante da história ainda curta do Buteco da Elma foi quando o bar foi premiado no concurso. Teve casa lotada, com microfone, discurso, palmas e gritos de apoio. Foi muito emocionante!’.

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