Quem convive com portadores do espectro autista sabe das dificuldades em lidar com eles, principalmente em situações de crises (chamadas de “desregulação”), porque demandam paciência, conhecimento e tratamento adequado.…

Quem convive com portadores do espectro autista sabe das dificuldades em lidar com eles, principalmente em situações de crises (chamadas de “desregulação”), porque demandam paciência, conhecimento e tratamento adequado. Principalmente quando se trata de crianças. Embora todas as escolas públicas do DF sejam obrigadas a receber alunos especiais, a Escola Classe 03, localizada na QE 42 mas que atende alunos da Região da Estrutural, é a mais preparada do Guará para o atendimento de crianças com espectro autista após a instalação de uma sala de acolhimento. A sala evita, por exemplo, a forma constrangedora da abordagem à criança autista em momentos de desregulação na frente de todos, inclusive dos colegas. E garante também a integridade física por ser silenciosa, sem estímulos visuais e auditivos, necessários para o reequilíbrio.
Segundo a diretora da escola, Lucélia Abreu, a EC 03 sempre teve como meta desde o início da sua implantação em 2022 outros projetos de inclusão de crianças com necessidades especiais. “A Sala de Acolhimento foi uma proposta eleita com quase 100% dos votos dos eleitores votantes no final do ano de 2023 nas eleições para Gestores Escolares”, explica.
“Com a sala de acolhimento, esse constrangimento não acontece, porque é um espaço exclusivo e confortável para a criança se acalmar”, explica a diretora da escola,
Lucélia Abreu.
Basta criatividade
Para a vice-diretora da escola, Arlete Martins, a vivência foi muito importante para se chegar ao foco da solução e não do problema. A sala possui revestimento até sua metade com emborrachado para proteção das crianças, luz elétrica, luz de cor azul que reflete no teto estrelas para acalmá-las, janela, ventilador, três puffs e brinquedos antiestresse para distrai-las. As crianças que utilizam a sala ficam com seus educadores sociais até se acalmarem para retornar à sala de aula.
"Percebemos nos anos anteriores que podemos desenvolver uma educação inovadora, mesmo tendo poucos recursos, bastando apenas sensibilidade e humanidade para acolher os estudantes com deficiência, porque eles reagem muito bem ao amor que recebem. E quando o estudante é devidamente acolhido, isso reflete na aprendizagem", explica a vice-diretora da escola, Arlete Martins.
Outra novidade da escola começa a ser implantada na próxima semana, para o atendimento de estudantes “não falantes” (Quem não se comunica por meio da fala, mas utiliza outros recursos da na linguagem verbal para se expressar. Isso pode incluir a escrita, a digitação, a linguagem de sinais, entre outras alternativas). Em todos os ambientes - porta das salas, banheiro, refeitório, quadra, parquinho, sala de jogos, portão de entrada, bebedouro e salas de aula – estão sendo instaladas pranchas com as principais palavras para facilitar a comunicação delas com os colegas e os professores. A escola é, também, a primeira do Guará com adaptação visual de todo o ambiente escolar.

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