Após um ano e quatro meses fechado por causa das restrições impostas pela pandemia do coronavírus, finalmente o Circo Vitória, acampado no quadradão entre às QEs 15, 23 e 26, reabre suas portas ao público a partir desta…

Após um ano e quatro meses fechado por causa das restrições impostas pela pandemia do coronavírus, finalmente o Circo Vitória, acampado no quadradão entre às QEs 15, 23 e 26, reabre suas portas ao público a partir desta sexta-feira, 28 de maio, com novidades. A autorização para a retomada dos espetáculos foi concedida pela Secretaria de Saúde após vistoria e imposição de um protocolo a seguir por artistas e público, como o uso de máscara, medição de temperatura, de álcool em gel e distanciamento na arquibancada. A capacidade foi reduzida de 200 para 100 pessoas por espetáculo durante a pandemia.

No período em que se viu obrigado a ficar parado, o grupo de artistas e de direção criou novas atrações, para atrair inclusive quem já tinha ido antes. A principal das novidades são os trapezistas voadores, que se juntam ao globo da morte, malabaristas, mágicos, bambolê, lira e tecido acrobático. Há também atrações para as crianças que acompanham os pais, como shows com os personagens Mickey, Minie e Pateta. Outra novidade é a única mulher do país como forte aparadora, a que apara os malabaristas quando eles retornam ao solo. São 18 pessoas envolvidas diretamente e indiretamente nos espetáculos, e a exceção do grupo que acompanha o circo são as cinco crianças abaixo de 14 anos.
Como são apenas 100 ingressos por espetáculo, recomenda-se a quem pretende assistir, passar antes e adquirir o seu ingresso. Por enquanto, a venda é apenas na bilheteria, enquanto é providenciado um aplicativo para venda online. Os ingressos têm preço único (sem meia entrada), de R$ 20 adulto e R$ 10 criança.

Loiri, um dos netos e Michele, as três gerações da família Mocelin que mantém o circo
Criado há 28 anos em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, o Circo Vitória foi a afirmação do empreendedorismo de Antenor de Almeida, 83 anos, seu filho Wilson de Almeida, 62 anos, e a nora Loiri Mocelim, 60. Antenor trabalhava num circo, onde nasceu Wilson. A gaúcha Loiri era uma apaixonada pela atividade circense e após conhecer e se apaixonar por Wilson resolveu segui-lo. Dessa união, vieram três filhos e quatro netos, que teve a adesão na atividade de noras e genros. Todos são crias do Circo Vitória e até hoje continuam a acompanhá-lo.
Porta voz da família, Michelle Mocelin de Almeida, 38 anos, define o que para o público externo pode parecer de difícil compreensão essa paixão por uma vida mambembe, em que se vive apenas o dia a dia. “É um sentimento inexplicável. Só quem vive no circo sabe o que representa esse mundo, que nos dá oportunidade de conhecer tantos lugares, culturas e pessoas diferentes. O trabalho se confunde com o divertimento. Não há rotina”, diz ela. Com efeito, o Circo Vitória somente não passou ainda por Amazonas, Acre e Rondônia no Brasil, mas já perambulou por Uruguai, Paraguai, Chile e Peru.
Até para as crianças a vida circense é divertida, porque a cada porto elas tem a oportunidade de estudar numa escola diferente e conhecer novos colegas – uma lei federal garante vagas em escolas públicas aos filhos de profissionais de circo em qualquer época e local, até o Ensino Médio. Até curso superior é possível fazer, como foi o caso da própria Michele, que concluiu Artes Cênicas nos quatro anos em que o circo ficou em Ribeirão Preto.
Loiri Mocelim, mãe de Michele, transformou a admiração adolescente pela paixão ao circo. “Depois de 40 anos em que estou no Vitória, acho que não saberia viver fora desse mundo, que ensina uma coisa nova a cada dia”, garante a ex-trapezista e domadora de cavalos que agora cuida da parte administrativa e da cozinha e dá suporte à toda a família.

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