Saudada como a grande solução contra os malefícios do apadrinhamento político que coloca as administrações regionais como feudos de igrejas, deputados distritais e federais, a eleição de administrador regional parece…

Saudada como a grande solução contra os malefícios do apadrinhamento político que coloca as administrações regionais como feudos de igrejas, deputados distritais e federais, a eleição de administrador regional parece que morreu por inanição. Por falta de alimentação. Mesmo prevista na Lei Orgânica do Distrito Federal, ninguém mais deu a ela um grãozinho sequer de ração. A última notícia dela é de 2022, quando o Ministério Público do Distrito Federal “exigiu” que o GDF encaminhasse à Câmara Legislativa seu parecer sobre o andamento do projeto, para que fosse votado pelos deputados distritais. Nem na campanha política de 2022 foi citada como bandeira de campanha de candidatos, como havia sido em 2018.
Além de cair no esquecimento da população e dos próprios políticos, a proposta esbarra em questionamentos jurídicos que ainda persistem mesmo após 16 anos desde quando foi lançada pelo então deputado federal Rodrigo Rollemberg – depois disso ele foi senador e governador – com base na previsão da Lei Orgânica do Distrito Federal, que prevê a escolha direta dos administradores regionais pela população. Mas, além dessas dificuldades técnicas e jurídicas, a eleição não desperta o interesse de quem é eleito, porque, se efetivada, iria tirar uma das principais moedas de trocas entre parlamentares da base do governo e o governador pelo apoio na Câmara Legislativa e no Congresso Nacional. Entregues principalmente aos deputados distritais da base, as administrações são importantes para acomodar aliados e seus correligionários.
Não se pode, entretanto, afirmar que a eleição direta dos administradores regionais está morta, porque legalmente ela continua viva, mas moribunda e aguardando apenas os desligamentos dos aparelhos que a continuam a se manter respirando. Pode-se dizer que está em coma profundo.
O último passo do projeto foi dado em 2021, quando a Comissão de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Turismo da Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou o Projeto de Lei nº 118/2019 (da eleição), elaborado pelo Poder Executivo, e o encaminhou às outras comissões da casa, rito necessário antes da votação em plenário, mas nada andou depois disso. O projeto foi aprovado na Comissão com emendas da ex-deputada distrital Julia Lucy e do relator Eduardo Pedrosa.

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