Na primeira semana de fevereiro o deputado distrital Rodrigo Delmasso surpreendeu as lideranças comunitárias e o próprio governo ao solicitar, em nome da Câmara Legislativa, a suspensão do processo de licitação do…

Na primeira semana de fevereiro o deputado distrital Rodrigo Delmasso surpreendeu as lideranças comunitárias e o próprio governo ao solicitar, em nome da Câmara Legislativa, a suspensão do processo de licitação do Complexo do Cave e sugeriu entregá-lo ao Sistema “S” (Sesi, Sesc e Senai) pelo modelo de “chamamento público”. O que causou a surpresa foi o fato do próprio deputado ter sido o mentor e o principal defensor da privatização, projeto que vem se arrastando há quatro anos, desde o governo Rollemberg.
Na justificativa, Delmasso alegava que o projeto finalizado pela Secretaria de Projetos Especiais e encaminhado à Secretaria de Esporte e Lazer para licitação tem diferenças do elaborado e apresentado à comunidade, porque penalizaria o morador com ingressos para acesso às atividades acima do poder econômico médio da população guaraense. “Pela proposta, o morador vai pagar em média R$ 50 para usufruir do novo espaço. Teríamos aqui um clube nos padrões e nos preços de um Iate Clube, por exemplo. Além disso, dá direito ao concessionário de construir outros prédios comerciais além dos previstos inicialmente, o que desvirtuaria o projeto original”, garantia. “Estou sugerindo repassar o Cave ao Sesi, para que possa implantar lá projetos sociais e esportivos, como acontece no Sesi de Taguatinga, com acesso mais democrático e mais barato aos moradores da cidade”. O deputado ameaçava até acionar a Justiça caso a licitação não fosse suspensa.
Mas, nesta quinta-feira, 25 de fevereiro, o Jornal do Guará obteve a informação que o pedido de Delmasso não será atendido. Enquanto a Secretaria de Projetos Especiais garantia que o projeto encaminhado sofreu apenas ajustes sugeridos pelo Tribunal de Contas do DF sem reflexos nos preços a serem praticados pelo concessionário, a Secretaria de Esporte e Lazer confirmava que não havia recebido qualquer “orientação superior” para suspender o processo e que a licitação estava mantida e o edital sendo preparado para ser lançado nos próximos dias. O próprio deputado Rodrigo Delmasso confirmou à reportagem que o governador Ibaneis afirmou a ele no início da semana que a privatização estava mantida e que o Sistema “S” quisesse participar que entrasse da licitação.
O inesperado pedido de Delmasso teve também outra interpretação por parte de algumas lideranças comunitárias da cidade, críticas à privatização do Cave. Em grupos de WhatsApp, líderes comunitários como José Gurgel, Rênio Quintas e Klécius Ribeiro especularam que a mudança de posição do deputado teria motivos políticos, uma vez que o principal interessado até agora na concessão é o investidor Luis Felipe Belmonte, suplente do senador Izalci Lucas e marido da deputada federal Paula Belmonte, virtual adversária de Ibaneis nas eleições de 2022. Segundo eles, o próprio governador teria dado a ordem para suspender a licitação, especulação que não se confirma diante da posição de Ibaneis de manter o processo contra a vontade de Delmasso. “Não houve qualquer motivação política para eu pedir a suspensão. Fiz em nome dos interesses da população guaraense”, garante o deputado, que também nega que o recuo tenha a ver com a pressão de lideranças comunitárias da cidade, principalmente do segmento cultural, no início de fevereiro, que o fez desistir da proposta de transferir o Centro Interescolar de Línguas (Cilg) da QE 7 para o Salão de Múltiplas Funções do Cave depois de repercussão negativa nas redes sociais.

Desde quando foi apresentada em 2017, no governo Rollemberg, a proposta de concessão do Cave sofre uma forte campanha de oposição das lideranças comunitárias, em parte pelo temor da comunidade perder o acesso ao espaço e por outro lado por questões meramente ideológicas por aqueles que defendem que o Estado não deve privatizar o que é público. O argumento do governo, e do próprio Delmasso até então, é que a privatização seria a única possibilidade de recuperação do Cave, que está completamente sucateado, com o estádio demolido, o ginásio coberto interditado e as quadras esportivas sem condições de uso. Para completar o argumento, esse sucateamento teria sido provocado pela incompetência do governo em administrar seus espaços públicos, por falta de estrutura – a Administração Regional do Guará, a quem cabe a gestão do Cave, foi esvaziada nos últimos governos e sua estrutura mal é suficiente para manter os serviços mínimos à comunidade.
O projeto de concessão do Cave debatido desde 2017 prevê a reconstrução do estádio do Cave, de um novo ginásio coberto ao lado do Teatro de Arena (onde é a pista de bicicross), a construção de uma praça de lazer no terreno do atual ginásio, com academias, restaurantes e serviços, e um clube social, como meio do concessionário obter retorno dos investimentos, calculados em R$ 35 a 40 milhões (R$ 28 milhões em 2017). Somente no estádio seriam cerca de R$ 14 milhões.
Na entrevista que concedeu ao Jornal do Guará em julho do ano passado, o então secretário de Projetos Especiais, Everardo Gueiros, garantiu que a preocupação do segmento cultural do Guará em relação aos espaços existentes não se justificava, porque a Casa da Cultura e o Teatro de Arena não foram incluídos na privatização. O projeto finalizado prevê a demolição do prédio do Centro de Convivência do Idoso (CCI), mas com a obrigação de ser reconstruído pelo concessionário no lugar do prédio desativado da Casa da Cultura, ao lado do antigo Pontão do Cave. Também será de responsabilidade do concessionário a construção de uma nova pista de bicicross e outra de skate no terreno atrás do posto Petrobrás e entre a Abrace e Centro de Saúde 2.
O projeto prevê também a destinação de 10% das vagas em escolinhas de esporte aos alunos da rede pública de ensino e a reserva de seis datas anuais para a realização de eventos promovidos pela Administração Regional do Guará.


O estacionamento da Administração Regional do Guará recebe, no próximo dia 23 de junho, mais uma edição do Encontro Antigomobilista, considerado um dos principais eventos de carros antigos do Distrito Federal. A…

por Mário Pazcheco 22 a 28 de novembro de 1980 - O saguão de entrada do prédio da Administração Regional do Guará transformou-se, em um vibrante ponto de encontro para a cultura e a arte. A I Exposição Coletiva de…

As equipes que salvam vidas nas ruas do Distrito Federal agora contam com uma estrutura nova para treinar e aperfeiçoar os atendimentos de urgência. O Governo do Distrito Federal (GDF) inaugurou, nesta terça-feira (23…
Jornalismo local e independente há mais de três décadas, cobrindo a vida do Guará e do Distrito Federal com profundidade, criatividade e compromisso público.
© 2026 Jornal do Guará · Todos os direitos reservados · CNPJ 05.432.117/0001-42