Bons tempos aqueles em que o estádio do Cave era a principal atração da cidade nas manhãs de domingo, quando o Clube de Regatas Guará mandava seus jogos em casa. Como não havia ainda a Internet e nem os canais de TV a…

Bons tempos aqueles em que o estádio do Cave era a principal atração da cidade nas manhãs de domingo, quando o Clube de Regatas Guará mandava seus jogos em casa. Como não havia ainda a Internet e nem os canais de TV a cabo para transmitir jogos dos campeonatos europeus, assistir aos jogos do Lobo da Colina era a diversão de quem gostava de futebol e tinha a oportunidade de rever os amigos. Era uma festa que reunia pais e filhos, homens e mulheres, vestidos com camisas com as cores preta-amarela-branca e se divertiam gritando “lôôôbôôô...”, enquanto bebericavam uma cervejinha e degustavam os churrasquinhos dos vendedores ambulantes que se postavam na parte de cima das arquibancadas, ao lado da tribuna. No intervalo, a diversão era acompanhar o “locutor oficial” do estádio, Heleno Carvalho, sortear rapadura, queijo e outros brindes oferecidos pelos feirantes da Feira do Guará ou camisas do próprio time. Ou bicicletas às crianças, como estratégia de marketing para atrair os pais para o estádio e formar uma nova geração de torcedores.
Pode se dizer que o Clube de Regatas Guará revolucionou a forma de aproximar a torcida do incipiente e semi-amador futebol brasiliense, numa época em que a maioria dos times locais tinha donos endinheirados que pouco se importava com a presença de torcedores ou de formar uma torcida própria. Ter um time de futebol naquela época em Brasília para esses mecenas era satisfazer seu próprio ego ou “lavar” parte do dinheiro que ganhavam facilmente. E os donos que não tinham esse dinheiro para bancar, ficavam devendo jogadores por meses ou pagavam misérias a quem se dispunha a jogar mesmo recebendo pouco, quando recebiam.
Torcida mesmo só quem tinham era Gama, Guará e Ceilândia - ainda não existia o Brasiliense. A média de público nas manhãs de domingo no Cave era de 1,5 mil a 3 mil pessoas, considerado grande para a época e para o futebol brasiliense, que chegava a ter jogos com até menos de 100 torcedores.


A decadência e o fim do Clube de Regatas Guará foram seguidos da malfadada tentativa de construção de uma moderna arena no lugar do velho estádio e depois da arrastada concessão do Complexo de Esporte e Lazer do Cave. A derrocada começou no Governo Agnelo Queiroz, que na onda megalomaníaca de construir um estádio acima das necessidades de Brasília, inventou de criar um apêndice no Guará, para eventos para menos de 10 mil pessoas que ficariam boiando no imenso estádio Mané Garrincha, que tem capacidade para 70 mil pessoas. Pelo projeto, o estádio do Cave, o mais próximo do Mané, seria reformado e transformado numa arena multiuso, para abrigar, além de eventos culturais e de lazer, o futebol profissional. E o governo local até conseguiu um generoso recurso de R$ 8 milhões, que, somado a R$ 3 milhões da contrapartida do GDF, seria suficiente para refazer o velho e ultrapassado estádio do Cave..
A reforma do estádio até foi licitada e começou a ser feita, mas somente até a empreiteira que ganhou a licitação descobrir que haviam erros de cálculos dos custos e de estudos geológicos do terreno. Como não conseguiu convencer a Novacap a aumentar o orçamento ou oferecer um termo aditivo que tornasse a obra economicamente viável, a empreiteira desistiu de continuar e abandonou a reforma.
Já no Governo Rollembeg, que veio depois, surgiu a ideia de conceder todo o espaço do Cave à iniciativa privada, que ficaria responsável pela reformulação e modernização, em troca da exploração do que viesse a construir. A decisão, louvável, veio com a constatação de que não havia recursos suficientes para a reforma do complexo, ou que haviam outras prioridades de investimentos, e, principalmente, que não havia expertise e estrutura suficiente na Administração Regional do Guará para administrar o espaço depois de reformado.
Mas, após pressão do segmento cultural do Guará pela retirada do Teatro de Arena do projeto, a concessão continua parada entre as secretarias de Projetos Especiais, de Cultura e Lazer e o Tribunal de Contas do DF, sem previsão de ser resolvida e colocada em prática.
Enquanto isso, a cidade continua sem time e sem estádio.

Por Julio Camargo,do Laboratório de Comunicação Comunitária O som do berimbau ecoa pela Casa GOG enquanto crianças formam uma roda de capoeira. Entre cantos, palmas e movimentos, a atividade vai muito além do esporte.…

Aos 5 anos de idade, o pequeno Santiago já coleciona conquistas que impressionam até os atletas mais experientes. Morador da QE 38, no Guará, o jovem competidor conquistou a medalha de bronze no Campeonato Brasileiro de…

Estão abertas as inscrições para o Sesc+Corridas – Etapa Guará, que será realizada no dia 28 de junho. A prova contará com percursos de 5 km, 10 km e 15 km, além de caminhada de 3 km, reunindo atletas e praticantes de…
Jornalismo local e independente há mais de três décadas, cobrindo a vida do Guará e do Distrito Federal com profundidade, criatividade e compromisso público.
© 2026 Jornal do Guará · Todos os direitos reservados · CNPJ 05.432.117/0001-42