A história se repete, mesmo depois dos episódios da construção da ciclofaixa do Guará II, que provocou protestos dos moradores e motoristas até que o governo resolvesse interromper a obra. Mas o desgaste com a…

A história se repete, mesmo depois dos episódios da construção da ciclofaixa do Guará II, que provocou protestos dos moradores e motoristas até que o governo resolvesse interromper a obra. Mas o desgaste com a comunidade pela obra absurda da ciclofaixa não fez o governo aprender. Uma intervenção no estacionamento da Feira do Guará está retirando mais de 300 vagas de veículos para dar lugar a calçadas de mais de 8 metros de largura, sob o pretexto de melhorar a acessibilidade. Na parte já concluída, em frente à Estação Feira do Metrô, foi construído um verdadeiro e inexplicável labirinto com acesso e saída no mesmo espaço. Mesmo depois do protesto de feirantes e usuários, uma nova surpresa: absurdo semelhante volta a se repetir no estacionamento do lado de cima, no acesso da via contorno, que até então estava intacto.
O que mais surpreende é que, mesmo com os protestos contra as intervenções anteriores, que começaram no estacionamento em frente à Administração Regional, as obras continuam sem que alguém consiga detê-las. Assim que assumiu a Administração Regional em janeiro, o administrador regional Artur Nogueira tentou convencer a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), responsável também pela polêmica ciclofaixa, a interromper a obra e suspender o projeto, mas, em vão. Logo depois veio a construção do labirinto em frente à Estação Feira, também sob protestos gerais, sem que fosse interrompido. Agora, a terceira intervenção, desta vez a mais drástica.


“Os feirantes não tem onde estacionar ou parar seus próprios carros. O acesso à feira ficou muito complicado porque tiraram o asfalto e ficou só o barro, a lama e a poeira. Os clientes não encontram onde parar e vão embora, sem retornar na próxima semana. Por não ter vaga no estacionamento, não tem clientes – se não temos clientes, não temos vendas. O prejuízo é muito grande”, reclama Adeilson Lobo, da banca Castanha & Cia.
Para o feirante Heitor Moraes, conhecido como “gaúcho do pastel, um dos mais antigos da Feira do Guará, proprietário da pastelaria Universidade do Pastel, o que estão fazendo no estacionamento é um desrespeito aos feirantes “Para nós foi uma surpresa, porque ninguém nos comunicou nada e nem pediu a nossa opinião. É uma obra desnecessária e prejudicial aos nossos interesses. Nós precisamos do estacionamento, precisamos de clientes, de pessoas que consomem para gerar emprego, que chegam a 2 mil na Feira do Guará. Estamos sendo prejudicados sem saber o motivo”, completa.
Todo final de semana o servidor público Edson da Cruz “bate ponto” na Feira do Guará, mas, atualmente, definiu a experiência de estacionar no local como “horrível”: “Diminuíram os espaços para carros, aumentaram a calçada e não há mais onde estacionar. Antes era mais fácil estacionar, mas hoje é preciso dar uma volta enorme para poder achar uma vaga”.
Mais comedido, e por isso mesmo criticado pela maioria dos feirantes ouvidos pela reportagem, o presidente da Associação dos Feirantes da Feira do Guará, Cristiano Jales, diz que está aguardando a conclusão das obras para sentir os impactos sobre as vendas. “Não dá para saber ainda se serão negativos ou positivos. Mas temos ouvido muitas reclamações dos feirantes, dos clientes, dos frequentadores do Metrô, em relação às vagas que foram reduzidas, mas a gente não pode afirmar agora se a obra veio para piorar ou beneficiar”, avalia.
Tudo parece se encaminhar para o esquecimento e deixar como foi feito. Pelo menos é o que parece em relação à polêmica obra da ciclofaixa do Guará II. Um ano e meio depois de iniciada e um ano após o início dos protestos organizados dos moradores, a única coisa que aconteceu de fato foi a interrupção do que seria feito nos trechos 2 e 3 até o final do Guará II (da QI 25 à QE 36). O trecho 1, já pronto, e que provocou acaloradas discussões entre governo e comunidade, a obra da ciclofaixa do Guará II continua do mesmo jeito, com o estreitamento da pista e a demarcação de estacionamento nas laterais.
Depois de várias reuniões entre representantes do governo e da comunidade, parecia que havia a intenção – por parte do governo -, de promover algumas adequações à obra, para minimizar os impactos no trânsito, provocados pela redução de uma pista da via central e aplacar a ira dos motoristas. Pelo menos foi o que ficou acordado na última reunião entre as duas partes, em agosto do ano passado. De lá para cá, foi só “enrolação”. Desde setembro, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), vem prometendo apresentar um projeto elaborado pelo Detran-DF com propostas de alterações ao que já foi feito, mas até agora, nada.
Insatisfação da comunidade
O clima das quatro reuniões tem refletiu o descontentamento da maioria da população guaraense com as interferências no trânsito, manifestado nas redes sociais. Durante o ano passado, a ciclofaixa foi o assunto mais comentado em grupos de WhatsApp e Facebook da cidade, a maioria absoluta contra o projeto. Por causa dessa insatisfação, o governo decidiu suspender a parte do projeto que previa a extensão da ciclofaixa nos trechos 2 e 3, entre a 4ª Delegacia de Polícia e o edifício Pedro Teixeira, no final do Guará II.
Enquanto afagava o movimento que protestava contra a obra ao decidir pela sua interrupção, o governo esbarrava em duas outras dificuldades, a primeira delas de ordem legal, porque a obra é uma compensação urbanística, que está sendo paga pelas incorporadoras que construíram grandes edifícios na orla e no centro do Guará II no período de 2008 e 2010 e foi negociada à época pelo Ministério Público com o então Governo Arruda. Como não foi executada desde então por falta de providências dos governos subsequentes de Wilson Lima e Rogério Rosso (tampões), depois de Agnelo Queiroz e Rodrigo Rollemberg, que tinham a responsabilidade de apresentar os projetos da compensação, o Tribunal de Contas do Distrito Federal resolveu intervir e exigir que o Governo Ibaneis cumprisse o acordo com as incorporadoras. Mas, para atender à exigência do TCDF, o governo atual resolveu lançar mão do projeto elaborado na época por técnicos da então Secretaria de Habitação, atual Seduh, portanto há quase 12 anos, aprovado por uma Comissão formada por representantes da própria Secretaria, da Secretaria de Transportes (atual Secretaria de Mobilidade).

Nesta sexta-feira (26 de junho), a partir das 23h, o Detran-DF interditará a via de ligação entre o Guará e o Núcleo Bandeirante na altura da ponte sobre o Córrego Vicente Pires. A medida é necessária para serviços de…

O avanço da ocupação das áreas públicas, previstas no Plano Diretor da cidade, já começa a afetar a realização dos grandes eventos em áreas abertas, como as duas festas juninas – o São João e o Grande São João do Guará…

A obra de duplicação da via de ligação entre o Guará e o Núcleo Bandeirante entrou na reta final e se aproxima da conclusão após avançar para as últimas etapas de execução. Nesta semana, o administrador regional da…
Jornalismo local e independente há mais de três décadas, cobrindo a vida do Guará e do Distrito Federal com profundidade, criatividade e compromisso público.
© 2026 Jornal do Guará · Todos os direitos reservados · CNPJ 05.432.117/0001-42