Embora seja ocupado por órgãos públicos, equipamentos esportivos e instituições, o Complexo do Cave continua sendo oficialmente uma área só, mesmo após mais de 50 anos de criada. Para resolver essa situação, a…

Embora seja ocupado por órgãos públicos, equipamentos esportivos e instituições, o Complexo do Cave continua sendo oficialmente uma área só, mesmo após mais de 50 anos de criada. Para resolver essa situação, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) vai promover uma audiência pública no dia 29 de novembro, para debater a criação dos lotes e regularizar as ocupações existentes. Na proposta, serão criados apenas dois novos lotes - um atrás do Fórum e outro entre o Salão de Múltiplas Funções e o Clube dos Amigos, onde existe um campo de futebol society, que pertence à Administração Regional, mas é usado por um grupo da comunidade. O parcelamento não tem relação com o projeto de privatização do Cave, que inclusive está sendo desistido pelo governo (ver reportagem ao lado).
O objetivo da audiência pública, de acordo com a Seduh, é apresentar a proposta de projeto de lei complementar (PLC) para alterar a destinação inicial do Cave e transformar um parcelamento de 398.060,84 m² em vários lotes. Com isso, podem ser regularizadas as áreas ocupadas pela Administração Regional, a Feira do Guará, a Casa da Cultura, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), o Ministério Público, o Ginásio de Esportes do Cave, estádio e o Kartódromo do Guará. E os ocupados por instituições, como o Lions Clube, o Rotary Club, o Clube dos Amigos e a Abrace.
“Basicamente, no Cave estamos apenas regularizando o que já funciona no local”, afirma a subsecretária de Desenvolvimento das Cidades da Seduh, Andrea Mendonça. “Elaboramos uma proposta de reparcelamento da área e, com isso, vão ser criados 17 lotes para a regularização das atividades que já estão implantadas.”

Segurança jurídica
De acordo com a secretária, a regularização também será importante para garantir segurança jurídica aos lotes, inclusive no momento de fazer investimentos públicos no local. “Com a aprovação da população, vamos reparcelar a área do Cave; a maioria desses lotes permanecerá como uso institucional, destinado a equipamentos públicos”, explica.
A audiência pública será realizada presencialmente na sede da Administração Regional do Guará (QE 25 – Área Especial do Cave, Guará II). O evento também terá transmissão simultânea no canal da Seduh no YouTube. Todas as informações necessárias para subsidiar o debate estão disponíveis no site da Seduh, na aba Participação, em Audiências Públicas.
Próximos passos
Depois da audiência, a equipe da Seduh avaliará as sugestões apresentadas pela população, fazendo os ajustes técnicos necessários na proposta. Em seguida, o texto será debatido no Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do Distrito Federal (Conplan).
Uma vez aprovado, o projeto será encaminhado à análise da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Depois disso, segue para ser sancionado pelo governador.
Reconstrução do estádio
A decisão atende principalmente o movimento cultural, que acionou o Ministério Público e o TCDF contra a inclusão do teatro de arena no pacote que seria privatizado, e do pessoal da terceira idade, que protesta contra a proposta de destruir a sede atual do Centro de Convivência do Idoso (CCI), onde seria construída uma praça de alimentação e serviços, e reconstruí-lo em outro local, na área da antiga Casa da Cultura, mais distante da via contorno e do acesso ao transporte público.
Com essa decisão, o governo quer apressar a solução para o estádio do Cave, parcialmente demolido há quase nove anos, quando o repasse do Ministério do Esporte para a reforma foi perdido no fim do orçamento anual da pasta, por causa de divergências entre a empreiteira que havia iniciado a obra e a Novacap em relação a dificuldades técnicas no terreno, que não haviam sido previstas na licitação. Na época, o Ministério do Esporte havia aprovado o repasse de R$ 8,2 milhões para a reforma do estádio, que seriam completados com R$ 2,2 do orçamento do GDF. A empreiteira chegou a implantar o gramado, nos mesmos padrões do gramado do estádio Mané Garrincha, e chegou a iniciar a construção dos vestiários e da parte administrativa, mas abandonou a obra por causa das divergências com a Novacap. Como o imbróglio não foi resolvido até o fim da gestão do governo federal da época, o recurso prometido pelo Ministério do Esporte foi cancelado por não ter sido empenhado no mesmo período da destinação.
A solução encontrada pelo governo para a reconstrução do estádio viria da privatização de todo o complexo do Cave, incluindo outros equipamentos em más condições ou degradados, como o clube de unidade de vizinhança e o ginásio coberto. O projeto previa, além da reconstrução do estádio, a construção de um novo ginásio em outra área e a transformação da área do clube do CCI em uma praça de alimentação e de serviços, como compensação pelo investimento privado.
Licitação cancelada
Depois do projeto pronto e cumpridas todas as etapas legais, casos das audiências pública presencial e virtual, quando os moradores tiveram a oportunidade de apresentar sugestões e contestações, e da liberação dos órgãos de controle, Procuradoria Geral do DF e Tribunal de Contas, a Secretaria de Esporte e Lazer agendou a licitação para dia 29 de janeiro de 2022, quando seria escolhido o concessionário do espaço. Porém, duas semanas antes, o próprio TCDF recomendou a suspensão da licitação, depois de receber uma contestação do presidente do Conselho de Cultura do Guará, Rênio Quintas, protestando contra a inclusão do teatro de arena do projeto, por contrariar a Lei Orgânica da Cultura do DF, que, segundo ele, veda a demolição ou transferência de um espaço público cultural sem que o assunto seja discutido com o Conselho Cultural da região e antes que seja viabilizado outro espaço público com os mesmos objetivos. Ele argumentou também que a comunidade teria se manifestado contra a privatização na única audiência pública promovida pelo governo para discutir o assunto, em 2017.
Desde então, o Tribunal de Contas vem protelando a decisão sobre a liberação da PPP, argumentando que aguarda a análise interna dos seus técnicos sobre os argumentos do segmento cultural e dos órgãos do governo, o que provocou inclusive protesto do governador Ibaneis, que no início de outubro, assim que foi reeleito governador, acusou publicamente o órgão de atrasar essa e outras privatizações que o governo pretende lançar. Nesta segunda-feira, 24 de outubro, o órgão encaminhou novamente o processo ao Ministério Público para outra análise, o que deve provocar recomendação de novas alterações ou até do cancelamento da licitação.

Advogado, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF) e pré-candidato ao Governo do Distrito Federal pelo Partido Novo, Francisco Queiroz Caputo Neto, o Kiko Caputo, afirma que entrou na…

por Mário Pazcheco 22 a 28 de novembro de 1980 - O saguão de entrada do prédio da Administração Regional do Guará transformou-se, em um vibrante ponto de encontro para a cultura e a arte. A I Exposição Coletiva de…

As equipes que salvam vidas nas ruas do Distrito Federal agora contam com uma estrutura nova para treinar e aperfeiçoar os atendimentos de urgência. O Governo do Distrito Federal (GDF) inaugurou, nesta terça-feira (23…
Jornalismo local e independente há mais de três décadas, cobrindo a vida do Guará e do Distrito Federal com profundidade, criatividade e compromisso público.
© 2026 Jornal do Guará · Todos os direitos reservados · CNPJ 05.432.117/0001-42