Os últimos dias foram agitados na Feira do Guará. Circularam nas redes sociais vídeos de brigas entre os feirantes, protagonizadas pelo ex-presidente da Associação de Feirantes (Ascofeg)e integrantes da chapa de…

Os últimos dias foram agitados na Feira do Guará. Circularam nas redes sociais vídeos de brigas entre os feirantes, protagonizadas pelo ex-presidente da Associação de Feirantes (Ascofeg)e integrantes da chapa de oposição. Os barracos são motivados pela disputa do controle da instituição que gerencia a feira.
A chapa vencedora é apadrinhada pelo ex-presidente Cristiano Jales, que passou 12 anos à frente da associação, e uma gestão conjunta foi instituída entre ele e o presidente eleito, Valdinei Lima. Mas, a chapa vencedora tem tido dificuldade de apresentar a documentação para o registro do resultado da eleição em cartório, o que reacendeu a disputa. Agora, a Justiça do Distrito Federal atendeu ao pedido do feirante Alexandro Meneses, que alega ter sido impedido de disputar as eleições.
O pedido para cancelar as eleições foi rejeitado em primeira instância. Já na segunda instância da Justiça, um desembargador decidiu suspender o resultado da eleição até que o caso seja julgado.
A decisão complicou ainda mais a situação da Feira do Guará. A Ascofeg é responsável pelo funcionamento da feira, e tem em seus quadros cerca de 25 funcionários, que cuidam do dia a dia do espaço, na segurança, na limpeza e nas questões administrativas. Como a eleição foi cancelada e o mandato do antigo presidente está encerrado, ainda não se sabe o que vai acontecer.
A oposição defende que a associação está acéfala e não tem condições de administrar a feira. O ex-presidente Cristiano Jales defende que apenas a eleição foi cancelada, o que o reconduziria ao cargo de presidente até que a situação na justiça seja resolvida. A associação vai recorrer da decisão nos próximos dias, mas uma definição judicial pode demorar muitos meses.
“Vamos entrar com recurso. Caso seja negado esse recurso, aí volta a gestão da feira para a diretoria anterior, que no caso é a diretoria da qual faço parte, e tem outras pessoas também. E, durante esse processo de julgamento do mérito, a gente pode aguardar ou chamar novas eleições para resolver o problema”, prevê Cristiano Jales, ex-presidente da Ascofeg.
“Se um desembargador entendeu que a eleição tinha erro suficiente para ser suspensa, quem somos nós para questionar. A eleição foi realmente cheia de erros e agressões contra o estatuto da feira, e, nós feirantes, vamos tomar as mediadas cabíveis para o momento, buscar as inconsistências e resolver. Não fui candidato, mas sou feirante como todos e estou lutando por todos. Não preciso do título de presidente para levantar a bandeira de defesa”, explica o autor da ação que suspendeu a eleição, Alexandre Meneses.
René Ramos e Alexandre Meneses alegam que a eleição teria sido manipulada. Nenhum dos dois pode concorrer pela
chapa de oposição, por não terem a documentação exigida, segundo a presidência à época
Após a eleição as duas chapas e os respectivos advogados assinaram a ata que declarava a vitória de Valdinei Lima. Porém, a ata ainda não foi registrada em cartório. Esse registro deveria ter sido feito pelo ex-presidente Cristiano Jale, mas o cartório Marcelo Ribas fez algumas exigências para realizar o registro. “Estamos em busca de cumprir todas as exigências do cartório, e isso não muda o resultado das eleições. Realizamos uma posse simbólica para o Valdinei e sua chapa e agora estamos agindo em conjunto para sanar o problema. Enquanto a ata não for registrada, estamos em uma gestão conjunta para que a feira não pare”, explica Cristiano.
Quem contesta a eleição é Alexandro Meneses. Ele fez campanha concorrendo como presidente da Chapa 2, mas teve sua candidatura indeferida, o que considera um ato de perseguição do ex-presidente. Sua candidatura foi sequer registrada, e a chapa 2 precisou inscrever a então tesoureira Daisilaine Xavier como presidente. Ele solicitou judicialmente o cancelamento das eleições, segundo o feirante de oposição, a Associação de Feirantes nunca disponibilizou a lista de bancas que poderiam votar no pleito, interferindo no resultado das eleições. Acusa também a antiga gestão de esconder o valor real das dívidas da associação. “Ora falam de R$ 8,5 milhões, ora em R$ 2 milhões, e ninguém sabe de fato quando se deve. E nem quem deve ou não à associação. Neste processo de eleição muita gente teve a dívida perdoada para poder votar neles”.
Para René Ramos, a eleição precisa ser cancelada por interferência do ex-presidente no pleito e a falta de transparência. A ata da eleição foi assinada pelos candidatos, de ambos os lados, por seus advogados e pela comissão eleitoral. Alexandro, autor da ação, e René, apoiador da oposição, não faziam parte da chapa que concorreu à eleição.
https://jornaldoguara.com.br/2024/02/15/eleicao-questionada-na-feira-do-guara/

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