Não é o primeiro – aliás, acontece todos os anos – mas provavelmente seja o maior incêndio sofrido pelo Parque Ezechias Heringer, o Parque do Guará. O incêndio, que durou três dias, destruiu cerca de 100 hectares, pelos…

Não é o primeiro – aliás, acontece todos os anos – mas provavelmente seja o maior incêndio sofrido pelo Parque Ezechias Heringer, o Parque do Guará. O incêndio, que durou três dias, destruiu cerca de 100 hectares, pelos cálculos do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) dos 345 hectares da área do parque, ao lado do Parkshopping, na Área 27, e atingiu uma mata de galeria às margens do Córrego Guará. Por causa do calor e dos ventos fortes, o fogo se espalhou rapidamente e as equipes do Corpo de Bombeiros e da Brigada de Incêndio do Parque tiveram dificuldade de trabalhar dentro da mata fechada.
A fumaça e o fogo podiam ser vistos à distância nesta terça-feira, quando o incêndio tomou maiores proporções. De acordo com informações preliminares, o incêndio teria sido provocado por um ocupante do parque, que teria colocado fogo no lixo e as chamas se espalhado rapidamente.
Fotos Matheus Veloso/Metrópoles
O Ibram informa que não foi possível avaliar todos os danos ambientais, mas é fácil perceber que a maior parte da vegetação daquela parte do parque foi completamente ou parcialmente destruída, principalmente os pinheiros que ornavam a entrada do ParkShopping pela Estrada Parque Guará (EPGU), conhecida como via Guará-Zoológico. Uma comissão formada por técnicos ambientais vai avaliar os estragos e emitir um relatório em até 45 dias.
O incêndio provocou indignação dos moradores nas redes sociais, principalmente dos defensores do Parque e ambientalistas, que culpam o governo pela lentidão nas medidas de proteção da área e a implantação do Plano Diretor do Parque Ezequias Heringer, elaborado há mais de 15 anos e parcialmente refeito há seis anos, mas que ainda não saiu do papel. “É um descaso do governo com o nosso parque. Além de não tomar as medidas que deveriam já ter sido tomadas, não permite que outros parceiros interessados ajudem na conservação, como é o caso do ParkShopping, que encaminhou proposta para recuperar e proteger a Área 27, exatamente a que agora sofreu o incêndio, onde existem cerca de dez nascentes”, critica o ambientalista Adolpho Fuíca, conhecido como o maior conhecedor e defensor do Parque do Guará.
Segundo ele, o atual governo tem protelado a implantação do Conselho Gestor do Parque Ezechias Heringer, previsto para ser formado por representantes da sociedade, dos órgãos ambientes, da Administração Regional do Guará e dos órgãos de segurança (Portaria da Secretaria de Meio Ambiente publicada em janeiro de 2021). “Essa falta de providência, que está prevista em lei que criou o Conselho Gestor, pode ser considerada como uma prevaricação dos dirigentes do Ibram, da Secretaria de Meio Ambiente e da Administração Regional do Guará”, reforça o ambientalista. Questionado pelo Jornal do Guará, o Ibram respondeu, em nota, “que já foram criados três conselhos gestores para as seguintes Unidades de Conservação: Parque Ecológico Burle Marx, ARIE Granja do Ipê e da APA das Bacias do Gama e Cabeça de Veado. Os demais estão sendo implantados à medida que houver capacidade operacional para novas convenções”.
Fotos Matheus Veloso/Metrópoles
Aos poucos, os praticantes de caminhada e de exercícios físicos e esportivos vão trocando o calçadão do Guará II e as quadras das praças por um espaço muito mais seguro, aconchegante e saudável. Parte dessa descoberta foi provocada pela pandemia da Covid, que obrigou a redução de atividades em academias e locais fechados, e de outra parte por causa da divulgação do que o espaço oferece. A frequência e o uso do Parque Ezechias Heringer, o Parque do Guará, praticamente dobrou nos últimos meses, mas ainda aquém do que pode receber. Até o ano passado, cerca de duas mil pessoas utilizavam as trilhas, quadras, parquinhos infantis e equipamentos de ginástica, mas esse público hoje chega a quatro mil pessoas nos finais de semana.
Essa frequência, entretanto, poderia ser bem melhor se as opções previstas no Plano Diretor do parque fossem mais do que os 10% atuais, mesmo assim fruto de compensações ambientais. Por enquanto, quase nenhum investimento com recursos públicos, com exceção do novo cercamento, concluído há quatro meses. Mas, o que existe é suficiente para quem gosta e precisa caminhar, correr, andar de bicicleta, praticar esportes e respirar ar puro.
O governo atual garante que tem feito investimentos no parque, mas os únicos visíveis é o plantio de cerca de 800 mudas de plantas do cerrada, em parceria com grupos organizados da comunidade e agora o cercamento. “O Parque do Guará recebeu benfeitorias em 2013 e, desde então, não havia sido feita qualquer manutenção no local”, afirma Thúlio Moraes, secretário-geral do Instituto Brasília Ambiental (Ibram).
O parque, que tem 349 hectares, fica aberto todos os dias das 6h às 22h e conta com boa iluminação em toda a área vivencial. Entre os atrativos da área de lazer há um parque infantil, banheiros públicos, uma quadra de areia e um pequeno e bem cuidado orquidário com espécies nativas. Os frequentadores também podem fazer trilhas ecológicas em meio à rica vegetação.

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