Até a chegada da Internet, o rádio era o meio de comunicação mais democrático e mais acessível existente, sendo, até hoje, o mais utilizado pela facilidade de acesso e por poder ser acessado de forma passiva, enquanto…

Até a chegada da Internet, o rádio era o meio de comunicação mais democrático e mais acessível existente, sendo, até hoje, o mais utilizado pela facilidade de acesso e por poder ser acessado de forma passiva, enquanto se faz outra coisa. Mesmo assim, a sua programação foi durante muito tempo centralizada nos grandes centros, produzida por emissoras comerciais e pouco se reportava ao que acontecia nas pequenas cidades ou em comunidades longínquas. Para cobrir essa lacuna é que o governo brasileiro criou as rádios comunitárias em 1988, com o objetivo de dar voz aos moradores de uma determinada região. A liberação, entretanto, teve o cuidado de não tirar o espaço das rádios comerciais, que pagam pela concessão e tem um custo de manutenção muito maior, além de pagar mais impostos.
A proposta era destinar essas rádios somente às associações sem fins lucrativos, para que pudessem se preocupar apenas com divulgação de eventos, valorização das manifestações culturais e disseminação de costumes e tradições locais.
Para não criar uma concorrência predatória com as rádios comerciais, a legislação estabelece alguns limites de funcionamento das rádios comunitárias, caso de frequência com o mesmo dial de todas elas, e alcance, além da proibição de contratar e veicular propagandas. Mas essas restrições são em parte dribladas tanto no alcance como na publicidade, que é trocada pelo “apoio comercial” e a terceirização de horários, que são toleradas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) por sentir a dificuldade desse tipo de emissora ser mantido de outra forma. Para ajudar a superar essas dificuldades, o Governo Federal está preparando uma Medida Provisória com o objetivo de flexibilizar a permissão para que essas emissoras também tenham acesso aos patrocínios comerciais, mesmo que dentro de um limite.
Cada cidade ou bairro tem direito a uma rádio comunitária, desde que o alcance entre elas não se choque, ou seja, que uma não invada o espaço da outra.
Dadas essas explicações necessárias para quem ainda não sabe a diferença entre rádio comunitária e comercial, vamos nos concentrar à rádio comunitária da nossa cidade, a Guará FM, que está completando 12 anos de funcionamento. A história da rádio guaraense começou na vinda do ex-vereador de Padre Bernardo, Valtemir Ferreira, para Brasília, especialmente para o Guará. Na cidade do entorno durante seus dois mandatos ele manteve um programa numa emissora local, mais voltado ao público evangélico. Ao se informar que havia espaço para a criação de uma rádio comunitária no Guará, ele resolveu concorrer em nome de associação criada por ele e foi contemplado com a concessão.
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