Como as crianças idealizam a cidade onde viverão Há 50 anos engenheiros, operários, arquitetos, políticos e sonhadores iniciaram um grande mutirão para construir uma nova cidade, o nosso Guará. Será que a cidade que…

Há 50 anos engenheiros, operários, arquitetos, políticos e sonhadores iniciaram um grande mutirão para construir uma nova cidade, o nosso Guará. Será que a cidade que imaginavam era a mesma que vivemos hoje? Será que sabiam que o Guará seria, depois de meio século, esta cidade tão linda? Como será que nossas crianças percebem nossa cidade hoje? E como será que a imaginam daqui a 50 anos?
Para entender melhor nosso presente propomos um desafio a estudantes entre o primeiro e o quinto ano do ensino fundamental. Afinal, conceber um futuro ideal é o primeiro passo para alcançá-lo. Como universo de pesquisa foram escolhidos os alunos da Escola Classe 5 do Guará, instalada desde 1977 entre as quadras 24 e 26.

Desafio de abstração

Ao pedir para estas crianças, todas menores de 11 anos, imaginarem um futuro tão distante, os educadores tinham consciência de que havia limitações na capacidade de abstração. Ainda assim, imaginar uma cidade futura é simplesmente desenhar uma cidade ideal, esteja ela em qualquer década, utilizando qualquer tecnologia. Ver como estas crianças desenhavam estes mundos utópicos é um retrato do próprio posicionamento destes alunos frente à vida. E ficamos surpresos e felizes com o otimismo e a esperança com que encaram o porvir.
É hegemônico no discurso dos alunos que o futuro será mais sustentável, com mais parques e áreas verdes, com soluções melhores de transportes, hospitais, alimentação saudável e escolas melhores. O tom esperançoso perpetua-se em todos os trabalhos, tanto dos menores, nas coloridas garatujas, ou nos poemas e textos dos maiores.
Obviamente o desenho da criança depende unicamente do olhar do intérprete. É o mundo improvável, onde os significados podem nos surpreender. Mas, nas mãos dos educadores, ainda que cuidadosos com a liberdade de expressão, as crianças conseguiram ordenar seus pensamentos por temas comuns, discutindo entre si cada assunto anteriormente e criando coletivamente este futuro abstrato.




A futurologia não existiria sem falar dos meios de transporte. É uma obsessão humana, desde a invenção da roda, aprimorar a forma de deslocar-se, principalmente no meio urbano. Talvez porque o deslocamento da população cause tantos transtornos. Sejam os acidentes de trânsito, seja a poluição, o barulho, o alto custo, o encanto causado pelos belos automóveis nas crianças e adultos, enfim, os meios de transporte permearam também a imaginação de nossos alunos.
O deslocamento urbano é especialmente sensível para as crianças. Afinal, o horário de pico do trânsito no Guará acontece justamente por conta das escolas. Uma cidade essencialmente residencial, com escolas encrustadas no meio de casas e pequenos prédios, se vê tomada de carros e ônibus nos horários de entrada e saída das aulas.
O deslocamento de casa para escola é um capítulo á parte na educação hoje e deve ser observado com atenção. Entender o veículo motorizado, seja ele particular ou coletivo, como principal forma de percurso escolar isola a criança da cidade. Pensar em caminhos seguros, com a criança como cidadã ativa, ocupante da urbe é fundamental. 
E assim as crianças não apenas imaginaram os novos veículos, que não são apenas carros autônomos ou elétricos, voadores ou compactos, mas bicicletas e patinetes que dariam autonomia para as próprias crianças, no futuro, se deslocarem livremente pela cidade.



O Guará do futuro tem um novo e moderno hospital. No lugar do sucateado e limitado Hospital Regional do Guará, uma estrutura de muitos andares, “tecnológica” e de fácil acesso aparece no futuro imaginado pelas crianças. A alimentação é cada vez mais natural, com poucas mudanças (o macarrão pelo menos continuará a ser o mesmo), e os mercados oferecerão comidas mais saudáveis. A agricultura urbana, com hortas comunitárias e dentro do perímetro urbano estarão cada vez mais presentes na vida destes futuros adultos. 


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