Por Elsânia Estácio Aos 19 anos, a jornalista e fotógrafa Ísis Dantas conheceu seu agressor e mergulhou em um relacionamento abusivo e violência psicológica, que durou dois anos e meio. Do ciúme doentio do companheiro,…

Por Elsânia Estácio
Aos 19 anos, a jornalista e fotógrafa Ísis Dantas conheceu seu agressor e mergulhou em um relacionamento abusivo e violência psicológica, que durou dois anos e meio. Do ciúme doentio do companheiro, nasceram o isolamento e as privações: parou de estudar, mudou a forma de se vestir, deixou de amamentar a filha em público para evitar crises de descontrole.
Foi com o apoio da mãe e a força de recomeçar que Ísis conseguiu romper o ciclo de violência quando sua filha tinha apenas oito meses de vida. Retomou os estudos, concluiu o curso de jornalismo e encontrou na fotografia um caminho de cura e resgate pessoal.
E desse lugar de dor nasceu o projeto Marias da Penha, iniciativa voluntária que utiliza a fotografia como ferramenta de autocura e empoderamento para mulheres que conseguiram romper o ciclo da violência doméstica. “Com a fotografia, elas conseguem se perceber belas, fortes e empoderadas. Se veem por meio de espelhos reais e imaginários, se reconectam com sua essência e iniciam um processo de autocura”, explica Ísis.
Desde 2019, ela já registrou 14 histórias de superação, que vão de cárcere privado a tentativas de feminicídio. Dez delas estarão reunidas em um livro e em uma exposição fotográfica intitulados Marias, com lançamento marcado para 21 de outubro, no Foyer do Plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). O objetivo da mostra, segundo a fotógrafa, é reforçar que “há vida após a violência, mas é preciso dar o primeiro passo”.
Entre as mulheres retratadas está Rosa Melo, moradora do Areal–DF, que sobreviveu a todos os tipos de violência e conseguiu romper o ciclo após quase ser queimada dentro de casa com os filhos. Hoje, Rosa é acolhida pelo Instituto Umanizzare, instituição que conheceu por meio do projeto. Histórias como a dela reforçam a importância do Agosto Lilás, mês de mobilização nacional pelo enfrentamento à violência contra a mulher.
“É um guia feito com muito cuidado, escuta e compromisso. A cartilha aborda os tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha, estratégias de autoproteção, direitos das vítimas e canais de denúncia, tudo em linguagem clara e firme”, explica Maithê Aragão, que trabalha ao lado da advogada Adriana Sousa, da Comissão de Combate À Violência Doméstica da OAB ( abaixo).

O Direito Delas, antigo Pró-Vítima, oferece apoio amulheres vítimas de violência. A sede fica na Quadra 1 do Lúcio Costa, e atende nos números(61) 98314-0619 e (61) 2244-1419
Além do trabalho da OAB, outro reforço importante no Distrito Federal vem do Programa Direito Delas, idealizado pela secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani. O projeto substituiu o Pró-Vítima e hoje é uma das principais políticas de acolhimento e assistência a vítimas de violência. “Nosso objetivo é compreender a vítima de forma integral, oferecendo atendimento psicológico, social e jurídico. A violência fragiliza em muitas dimensões, e a vítima não pode se sentir sozinha”, explica Passamani.
O Direito Delas atua em rede, articulando-se com delegacias, Defensoria Pública, Ministério Público, escolas, hospitais e organizações da sociedade civil. Além do acolhimento imediato, oferece atendimento de curto, médio e longo prazo, palestras, rodas de conversa e ações voltadas para a independência financeira das mulheres. “Campanhas como o Agosto Lilás são fundamentais porque dão visibilidade ao tema, incentivam a denúncia e ampliam o conhecimento da população sobre os serviços disponíveis”, completa a secretária.

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