Sem gerência sobre a Administração Regional do Guará e com poucos cargos ocupados através de sua indicação, o deputado Rodrigo Delmasso (PRB) anunciou esta semana que está abrindo mão de apadrinhar o órgão. Mesmo tendo…

Sem gerência sobre a Administração Regional do Guará e com poucos cargos ocupados através de sua indicação, o deputado Rodrigo Delmasso (PRB) anunciou esta semana que está abrindo mão de apadrinhar o órgão. Mesmo tendo sido ele quem indicou a administradora Vânia Gurgel e mais seis assessores, o deputado distrital alega nem conhecer os demais cargos comissionados nomeados lá. Delmasso apadrinhou a Administração do Guará durante toda a gestão passada, em seu primeiro mandato na Câmara Legislativa.
A decadência começou com a transferência da fiscalização para A Agência de Fiscalização (Agefis). Então, a Administração passou a emitir licenças, mas não poderia mais cobrá-las, o que se transformou num incentivo às invasões e ao comércio irregular. Depois, até o poder de emitir licenças foi repassado para outros órgãos. Os alvarás de construção e as licenças de funcionamento são protocolados na Administração, mas analisados e emitidos por outros órgãos. A própria Ouvidoria tornou-se irrelevante, pois a maioria das reclamações precisam ser encaminhadas às secretarias de Estado correspondentes.
A gota d’água foi a perda de orçamento. Na gestão de Agnelo Queiroz, toda a folha de pagamento (incluindo benefícios ) foi incorporada ao orçamento de cada Administração. Isso, aliado ao custo fixo mensal para o funcionamento da expedição, representa 100% do orçamento da Administração Regional. Então, se todo o dinheiro só serve para pagar o funcionamento do próprio órgão, no Guará cerca de R$ 8 milhões anuais, o que sobra para investir na cidade, seja em obras, eventos ou outros projetos?
Acontece que os deputados definem também qual órgão vai receber e executar os recursos enviados. Sem ingerência sobre as administrações regionais, acabam escolhendo enviar diretamente para os órgãos responsáveis por áreas de atuação. Assim, se querem investir nas escolas, enviam o dinheiro para a Secretaria de Educação, se o objeto é uma obra de infraestrutura, para a Novacap ou Secretaria de Obras.
Rodrigo Delmasso, morador do Guará, continua sendo o deputado que mais envia recursos para serem investidos aqui. Em 2019 foi destinado quase R$ 1,5 milhão para o Guará, sendo R$ 300 mil para a reforma da 4ª Delegacia de Polícia e todo o restante para as escolas. Cada escola recebeu cerca de R$ 48 mil, metade para compra de insumos e metade para pequenas obras e reparos. Este dinheiro chegará pelo Programa de Descentralização Administrativa e Financeira, o PDAF, que é gerido pelos próprios diretores, professores e pais de alunos nas escolas.
Entre outros deputados que incluíram o Guará entre suas prioridades está a ex-deputada Luzia de Paula (o orçamento é votado sempre no ano anterior ao exercício) que previu R$ 300 mil para a realização da Folia do Divino e de um evento chamado Forró Folia diretamente no orçamento da Secretaria de Cultura. O ex-deputado Chico Leite enviou R$ 800 mil para a construção de uma quadra coberta no 4ª Batalhão da Polícia Militar, a ex-deputada Sandra Faraj enviou R$ 300 mil para a reforma do Centro de ensino 2, o GG, e o agora deputado federal Israel Batista R$ 126 mil para as escolas, também através do PDAF.
Para se ter ideia, para se reformar os espaços públicos da cidade, como a Casa da Cultura o Salão Comunitário da QE 42 e outros, há apenas R$ 10.391. E para cuidar das áreas verdes de toda a cidade estão previstos R$ 20 mil para todo o ano. As emendas parlamentares para obras estão bloqueadas e devem permanecer assim por um bom tempo.
Sem recursos, sem uma equipe coesa, já que as indicações para ocupar os cargos da Administração do Guará saíram de todos os lados, Vânia precisará ter criatividade, como pediu o próprio governador Ibaneis Rocha. A proximidade do cinquentenário da fundação do Guará expõe bem como a administradora está limitada pela própria estrutura governamental. Sem nenhuma verba, se vê obrigada a recorrer a parceiros, como a iniciativa privada e outras secretarias de Estado. Mas, o caixa está apertado em todos os lugares. Os empresários enfrentam uma grande recessão, mal conseguem pagar as próprias contar, dirá patrocinar eventos para o governo. Outro agravante é que a Administração não tem mais nada a oferecer a esses empresários, já que não é responsável mais por quase nada no governo e tem uma baixíssima visibilidade, dada sua irrelevância. Os demais órgãos governamentais enfrentam seus próprios desafios e estão com os cofres tão vazios quanto. Dificilmente terão dinheiro para transferir para outro setor do Governo do Distrito Federal. Mesmo porque esta captação de recursos depende de experiência política dos servidores da Administração do Guará, em sua maioria neófitos no serviço público.
Tudo o que vier de benefício para o Guará em 2019 provavelmente não passará pela Administração Regional, que está reduzida a uma representação política do Governo do Distrito Federal. A proposta de criar um polo de serviços, como o Na Hora em cada cidade, ideia incentivada pelo próprio governador, ganha força e pode decretar de vez o fim das Administrações.
Serão tempos difíceis e a ordem é economizar. Talvez o aniversário do Guará seja resumido a um bolinho com amigos, como em boa parte das comemorações nas casas brasileiras atualmente.
R$ 200 mil - Para apoio ao SOS/DF - Rafael Prudente
R$ 126 mil - Orçamento direto das escolas - Professor Israel
R$ 300 mil - Reforma do GG - Sandra Faraj

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