Volta As Aulas Impacta Rotina Transito E Orcamento Das Familias
Redação
Redação
Volta às aulas impacta rotina, trânsito e orçamento das famílias

Por Aline Diniz
Com o início do ano letivo de 2026, o Guará vivencia mais uma vez os impactos da volta às aulas, marcada por retornos escalonados entre as redes particular e pública, alterações no trânsito, preocupações financeiras das famílias e a implementação recente do Cartão Uniforme Escolar. O movimento nas ruas já começou com o retorno das escolas particulares em 26 de janeiro. Já as instituições da rede pública retomam as atividades em 12 de fevereiro, conforme o calendário da Secretaria de Educação do Distrito Federal.Esse modelo escalonado provoca dois momentos distintos de impacto no trânsito. O primeiro, com as escolas particulares, concentra-se em vias centrais e acessos principais da cidade. A segunda fase, a partir do retorno da rede pública, tende a ampliar significativamente o fluxo de pessoas e veículos, principalmente nos horários de entrada e saída das aulas, pela maior quantidade de estudantes.
Adaptamos toda a rotina para colocar meu filho no horário”, diz Lorena França, mãe de aluno da rede pública do Guará.
Para as famílias, o retorno das aulas significa reorganização da rotina doméstica. Lorena França, mãe de aluno da rede pública, relata que o fim das férias exige um ajuste rigoroso dos hábitos. “Adaptamos toda a rotina para colocar meu filho no horário. Os costumes das férias precisam ser anulados, porque ele precisa de rotina para cumprir as responsabilidades escolares”, conta. Apesar de morar próximo à escola, ela destaca que o trânsito entre 12h45 e 13h15 fica visivelmente mais lento com a volta das aulas.Situação semelhante é enfrentada por Ana Paula Santos Silva, que tem um filho ingressando na rede pública. Ela antecipa a rotina escolar dias antes do início oficial, ajustando horários, limitando telas e organizando as atividades da família. Segundo Ana Paula, a movimentação no trânsito se intensifica no começo da tarde e no início da noite.O retorno da rede pública em 12 de fevereiro, poucos dias antes do Carnaval, gerou críticas. Para algumas famílias, como a de Lorena, a proximidade entre o início das aulas e o recesso compromete a adaptação dos estudantes. “Começa e para. Meu filho vai voltar apenas depois do Carnaval”, afirma. Ana Paula também questiona a eficácia desse calendário. A previsão é que o ano letivo termine em 21 de dezembro, com cerca de dez feriados e pontos facultativos ao longo do ano.
“O trabalho pedagógico no início do ano é mais gradual, focado no acolhimento”, explica Júlia Campos, professora da rede pública.
Professores atentosA professora Júlia Campos destaca que esse início fragmentado exige planejamento dos educadores. “Muitas crianças ainda estão no ritmo de férias, o que impacta atenção, concentração e comportamento. O trabalho pedagógico acontece de forma mais gradual”, explica. Ela também observa que o aumento do trânsito interfere na pontualidade e reforça a necessidade de comunicação constante entre escola e família.O retorno escolar também pressiona o orçamento das famílias. Materiais, livros, uniformes e transporte geram despesas extras em um período já comprometido por contas como IPTU e IPVA. Levantamentos apontam que 88% dos responsáveis consideram que os gastos escolares impactam diretamente o orçamento doméstico. Lorena comenta que o filho, por ser ativo, exige mais de um par de tênis ao longo do ano. Ana Paula cita o peso do material coletivo e individual pedido pelas escolas.Nesse contexto, o Cartão Uniforme Escolar, criado pelo GDF, é visto como um apoio bem-vindo. Lorena relata que já recebeu e desbloqueou o benefício, e elogia a possibilidade de buscar o uniforme em lojas credenciadas. Ainda não conseguiu realizar a compra por conta da alta demanda, mas considera o sistema eficiente. Já Ana Paula, mãe de aluno novo na rede, ainda não recebeu o cartão e deve iniciar o ano letivo sem uniforme completo, aguardando a próxima remessa.
“O aumento do trânsito nos horários escolares já é perceptível”, afirma Ana Paula Santos Silva, mãe de estudante recém-ingresso na rede pública.
Apesar das iniciativas, ambas as mães concordam que a volta às aulas exige planejamento e, muitas vezes, cortes em despesas com lazer e viagens. Elas também defendem melhorias nas escolas e maior atenção aos alunos com necessidades específicas. Lorena resume o sentimento: “Educação e saúde precisam ser prioridades absolutas”. Ana Paula reforça: “Famílias precisam estar integradas ao processo educativo, e ainda há espaço para ampliar o apoio, principalmente nas comunidades mais vulneráveis”.
Galeria de fotos





