Denuncia Sobre Salinha De Castigo E Desmentida
Redação
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Denúncia sobre “salinha de castigo” é desmentida

Uma denúncia de que a Escola Classe 3, na QE 42, que atende alunos da Estrutural, mantinha uma suposta “salinha de castigo” para alunos com espectro autista ganhou repercussão em grupos de mensagens e redes sociais em setembro de 2024, mesmo depois de ter sido contestada por pais, professores e entidades ligadas à educação. Segundo reportagem do Jornal do Guará na época, o ambiente apontado na acusação era, na prática, uma sala multissensorial usada para acolher estudantes, especialmente crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em momentos de crise e desregulação emocional.
Na sala de emoções, os alunos são sempre acompanhadosde uma monitora
A reação da comunidade escolar incluiu a divulgação de uma carta aberta assinada por professores da unidade, em que o grupo rejeitava a ideia de que práticas punitivas ou violentas estivessem sendo adotadas. No documento, os docentes afirmavam que a denúncia era grave e que, se existisse qualquer conduta como a descrita, não seria plausível que dezenas de profissionais convivessem com isso sem adotar providências. A carta também ressaltava que julgamentos apressados e informações incompletas poderiam causar danos à imagem de instituições públicas e aos trabalhadores da educação.Entidades como a Associação dos Diretores e ex-Diretoras das Escolas Públicas da Secretaria de Educação do DF (ADEEP) e o Sindicato dos Professores das Escolas Públicas do DF (Sinpro-DF) também publicaram manifestações desmentindo a acusação e defendendo que o espaço tinha finalidade pedagógica e protetiva. A ADEEP sustentou que a criação da sala foi discutida e legitimada no âmbito da comunidade escolar e que a medida surgiu de uma necessidade observada no cotidiano da escola, sobretudo para garantir um local adequado e seguro quando uma criança entra em crise, evitando riscos à própria integridade física e a situações de exposição diante da turma.Em nota, a Secretaria de Educação do Distrito Federal informava que o ambiente integrava o Projeto Político-Pedagógico da unidade e tinha sido planejado para apoiar estudantes em momentos de desregulação, especialmente aqueles com TEA. A secretaria explicou que a proposta era acolher o aluno por um período, reduzir estímulos e favorecer o reequilíbrio emocional, com retorno às atividades regulares assim que possível, sem uso de castigo como estratégia.
ArquivamentoA denúncia foi formalizada por uma professora contratada temporariamente, que registrou ocorrência e acionou órgãos de controle. A partir daí, houve diligências para verificação dos fatos. A 4ª Delegacia de Polícia do Guará e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) realizaram apurações, e, conforme o relato apresentado no material de referência, não foram encontrados elementos que confirmassem a narrativa de maus-tratos. O Conselho Tutelar também foi acionado e informou que não identificou irregularidades na escola.No âmbito do MPDFT, o procedimento administrativo foi encerrado com arquivamento após inspeções presenciais, análises pedagógicas e avaliação de documentos e informações reunidas por diferentes instâncias. A conclusão apontou que o espaço questionado funciona como sala de acolhimento emocional, com estrutura voltada à segurança e ao cuidado do estudante durante crises, e não como ambiente de punição. A apuração também considerou que práticas de acolhimento com redução de estímulos são utilizadas em diferentes contextos educacionais, especialmente no atendimento de alunos que apresentam sobrecarga sensorial ou dificuldades de autorregulação.O caso reacendeu na cidade o debate sobre o impacto de denúncias que ganham alcance nas redes antes de uma verificação completa. Para a comunidade escolar, o episódio evidenciou a importância de apuração rigorosa e de responsabilidade na divulgação de acusações, sobretudo quando envolvem crianças, educação inclusiva e o trabalho de profissionais da rede pública. Com a divulgação das notas e o desfecho das apurações, a viralização foi arrefecendo, e a escola passou a concentrar esforços em esclarecer a finalidade do espaço e preservar a rotina pedagógica.
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